jueves, 31 de diciembre de 2009

Cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado...




Cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Já fui internado numa clínica e aqui estou
Dizem que por falta de atenção dos amigos,das lembranças
E dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel,não se mexe,não se move
Não trabalha
Estou trancado no banheiro
E faço marcas no meu corpo com um pequeno canivete
Deitado no canto,meus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando me corto me esqueço
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor,o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Um de seus amigos já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende,não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever,como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente,ou inexistente
Nada existe pra mim,não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Eu sei que a loucura está presente
E sinto a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio eu conheço muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança é o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todos...
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Eu, trancado no meu quarto
Com meus discos e meus livros, meu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Só tenho alguns anos e sou velho...

Adaptação livre não consentida da letra de Clarice de Renato Russo em Uma outra estação.

martes, 29 de diciembre de 2009

Conto de fadas



Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Como que sarei a minha própria dor.

Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de ouro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquele de quem tens saudade,
O príncipe do conto: "Era uma vez..."

Florbela Espanca

Tarde demais



Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de ouro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu era novo e lindo!...
E a minha boca morta grita ainda:
Por que chegaste tarde, ó meu Amor?

Florbela Espanca

Tédio



Passo pálida e triste. Ouço dizer:
“Que branco que ele é! Parece morto!”
e eu que vou sonhando, vago, absorto,
não tenho um gesto, ou um olhar sequer...

Que diga o mundo e a gente o que quiser!
— O que é que isso me faz? O que me importa?...
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça em mim!

O que é que me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E é tudo sempre o mesmo, eternamente...
O mesmo lago plácido, dormente...
E os dias, sempre os mesmos, a correr...

Florbela Espanca

A minha tragédia



Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que minh'alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!...

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

Florbela Espanca

viernes, 25 de diciembre de 2009

Fazedor de Desgosto

De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura.

Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu rosto é tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.

Livra-me de ti.
Que eu reconstrua meus pequenos amores.
A ciência de me deixar amar
Sem amargura.

E que me dêem a enorme incoerência
De desamar, amando.

E te lembrando...

Fazedor de desgostos...
Que eu te esqueça...

Como saber de mim, sem te saber?

Hilda Hilst

sábado, 19 de diciembre de 2009

Jandira por Murilo Mendes



O mundo começava nos seios de Jandira.

Depois surgiram outras peças da criação:
surgiram os cabelos para cobrir o corpo,
(às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos).
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
o ar inteirinho ficou rodeado de sons
mais palpáveis do que pássaros.
E as antenas das mãos de Jandira
captavam objetos animados, inanimados,
dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
quando Jandira penteava a cabeleira...

Depois o mundo desvendou-se completamente,
foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E jandira apareceu inteiriça,
de cabeça aos pés.
Todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
de sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedecem aos sinais de Jandira
crescendo na vida em graça, beleza, violência.
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
e eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal
e apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira.
Outro, por causa de uma pinta na face esquerda de Jandira.
E seus cabelos cresciam furiosamente com a força das máquinas;
não caía nem um fio,
nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
a família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
por causa de Jandira.

E um padre na missa
esqueceu de fazer o sinal-da-cruz por causa de Jandira.

E Jandira se casou.
E seu corpo inaugurou uma vida nova,
apareceram ritmos que estavam de reserva,
combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas que repetem
as formas e os sestros de Jandira desde o princípio do tempo.

E o marido de Jandira
morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia o marido
fez um grande esforço para ressucitar:
não se conforma, no quarto escuro onde está,
que Jandira viva sozinha,
que os seios, a cabeleira dela transtornem a cidade
e que ele fique ali à toa.

E as filhas de Jandira
inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre,
espera que os clarins do juízo final
venham chamar seu corpo,
mas eles não vêm.
E mesmo que venham, o corpo de Jandira
ressuscitará inda mais belo, mais ágil e transparente.


Murilo Monteiro Mendes (Juiz de Fora, 13 de maio de 1901 — Lisboa, 13 de agosto de 1975) foi um poeta brasileiro, expoente do surrealismo brasileiro.

Cartas de Sanha e Sofrimento: N. 3

Hoje a realidade bateu em minha porta.
Trancado estava e trancado permaneci.

Lembro de ver você chegar, se aproximar, sorrir, apertar minha mão e cantar pra mim.

Sonho?
Talvez sim e porque não.

Realidade?
Não sei. Sigo inerte.
Rubro pingente do amor perdido.

Sucumbo no próprio universo de meu eu...
Sem saber se sou...
E sem saber, fico, não sei até quando...

Acreditando que meu sangue errou de veia e se perdeu...

Ou que talvez de fato o amor fuja de mim.

Ou...

Fica imerso no abismo de nós dois que é sempre meu...

Agora preciso ir...

Trancar-me-ei no porão que construí com tua ausência...

E rogo ao senhor do esquecimento que apague de minha memória esse dia...

Não posso mais chorar.

Se chegue tristeza...

Ouça!!!

Ouça, vá viver
Sua vida com outro alguém
Hoje eu já cansei
De pra você não ser ninguém

O passado não foi o bastante
Pra lhe convencer
Que o futuro seria bem grande
Só eu e você

Quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar

Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar

Maysa

Dois meninos!!!

Como dois meninos
que se entendem sem falar.
Como dois meninos
fizemos de tudo o amor.

Como dois meninos
fugimos de tudo um dia.
Fizemos tudo um dia
e ficamos sem saber.

Como dois meninos
nós brigamos por tolices
entendemos a saudade.

Nunca mais, nós dois seremos
como dois meninos.

Maysa

Morrer não dói!!!


O amor é o ridículo da vida.

A gente procura nele uma pureza impossível.

Uma pureza que está sempre se pondo, indo embora.

A vida veio e me levou com ela.

Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve.

Como as borboletas que só vivem vinte e quatro horas.

MORRER NÃO DÓI...

Cazuza

Cartas de Sanha e Sofrimento: N. 2

Passei noites escrevendo-te uma carta.
Você rasgou...

Olhei em teus olhos e disse que te amava com todas as minhas forças.
Você riu de mim...

Por fim...
Cortei os pulsos e assim fiquei a sangrar...
Você me deixou morrer...

Corredor estreito...
Costas largas...

No último instante, percebi que eu e você nunca fomos nós...

miércoles, 16 de diciembre de 2009

Cartas de Sanha e Sofrimento: N. 1

Não quero voltar a sonhar acordado e ver um oásis no deserto de meu coração...
Um ano sem você e a minha vida segue aos pedaços, com o pouco de ar que tenho em meus pulmões tento seguir vivo.
O que sobrou de nós dois não dá nem pra repartir, assim, meio sem querer ser ou saber se sou, ou ainda se seguirei.
Quem sou eu, meu amor sem você?
Que de tão leve o desejar de teus braços eu possa sentir o peso do teu corpo sobre o meu, as tuas costas largas, o teu olhar perseguidor de minhas voltas loucas, procurando algo que perdi dentro de mim.
Estou trancado.
Fechado em mim mesmo, e as chaves? As chaves você levou, e na espera angustiante de que um dia, ó meu amor, tu voltes a mim, me tranco no porão junto com tua ausência.
O amor foge de mim, e a felicidade se aproxima as vezes, mas nunca me olha nos olhos.
Tenho comigo a tristeza, eterna companheira, a solidão que me apavora. Nos dias de chuva eu sinto meu corpo frio, meu sangue adeja na água, congelado na eterna espera do teu abraço.
E por mais que eu tente, eu sei e sinto uma dor insuportável, pior do que a fome, talvez pior do que a morte e a única certeza que me persegue e me pertence, nesse universo em que me abismo eu possuo uma mescla dessa terrível convicção: Como é triste esperar por alguém que sabemos que nunca virá.
Meu amor:
Eu sem você sou poço oco...
Sou parede sem reboco...
Sou vitrola sem tocar...
Sou peixe fora do mar...
Sou um barco sem vela...
Sou pintor sem aquarela...
Sou poema sem rima...
Sou rua sem esquina...
Sou como concha vazia de quem o mar esqueceu...
Ó meu amor, longe ti sou passarinho sem asas, sem poder voltar pra casa...
E no desvario meu, me ponho a sonhar e te peço, não te afastes de mim, temendo a minha sanha.
"Se você vai sair, eu chovo"...
E o que mais desejo agora é dormir e sonhar um sono só, e voltar no tempo, naquele instante em que me beijavas e encostavas teu peito no meu, e nesse momento parar e ficar prisioneiro do tempo e nele permanecer...
Sigo sem entender o amor.
Me disseram da paixão:
"Que ela quer sangue e corações arruinados e saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago".
E...
Pra amainar...
"Que a paixão é um mar, parabólica dilatada, estrada que dói"...

P.S. Ele deixou o meu corpo e ardeu de desejo para com outros...
P.S. 2: Se te pareço noturno e imperfeito, olha-me de novo, porque esta noite olhei-me a mim, como se tu me olhasses...

Wolfram von Eschenbach (c. 1170 — c. 1220) foi um cavaleiro e poeta da Alemanha, considerado um dos maiores poetas épicos de sua época.

Parzival é um poema épico alemão da Idade Média atribuído ao poeta Wolfram von Eschenbach, escrito em alemão arcaico. Tendo sido traduzido para diversas línguas modernas, seu enredo enfatiza as virtudes da compaixão e do questionamento espiritual.

Datando o primeiro quarto do século XIII, seu conteúdo é em parte uma adaptação de Perceval ou le Conte du Graal ("Perceval, a História do Graal") de Chrétien de Troyes, e trata principalmente do herói Arturiano Perceval e sua busca pelo Santo Graal, a falha na primeira tentativa e o sucesso depois. Uma seção é devotada a seu amigo Gauvain e sua aventura defendendo-se de falsa acusação de assassinato, por fim ganhando a mão da dama Orgelusa.

Luís II da Baviera foi inspirado pelo poema, e áreas de seu castelo Neuschwanstein são decoradas com tapeçaria e pinturas relativas à história. Ele também foi patrono do compositor Richard Wagner, e o encorajou a escrever a ópera Parsifal baseando-se no épico. Luís então comissionou cada apresentação privada do trabalho.

martes, 8 de diciembre de 2009



Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de fevereiro de 1841 - Cagnes-sur-Mer, 3 de dezembro de 1919) foi um dos mais célebres pintores franceses e um dos mais importantes nomes do movimento impressionista.

lunes, 7 de diciembre de 2009

Impossible coexister ainsi...

Je ne peux plus supporter cette situation, impossible coexister ainsi, non plus, ça suffit pour moi!

Et soudain comme la mer, mes yeux se sont remplis de larmes, parce que devant moi je voyais que tu me livrait à l'oubli.

Comme moi, sans savoir être ce que je suis, je pourrais imaginer vivre sans tes baisers et sans l'odeur de ta peau.

Moi et toi, nous n'avons jamais été "nous", et en fait c'est impossible d'aimer ainsi loin, si loin…

C'été quand il a sorti de ma vie…

J'ai encore pu voir son large dos en partant.

J'ai couché dans le sol et j'ai fermé mes yeux et a ce moment n'existait rien entre moi et le vide. Et je ne peux plus décrire ce qui a suivi après moi, puisque dans cet fatidique après-midi de septembre je jamais plus me suis réveillé dans cette vie…

Gildo em: Devaneios meus parte 4: Em francês a dor é mais densa...

domingo, 6 de diciembre de 2009



Lily end me ou Yo e Lily...

Azar no amor, sorte no queijo Brie…

Nas esquinas da vida, numa cidade que não há esquina, sento-me, hoje não com a solidão, e sim, com a simbologia de uma amizade eterna, daquelas que nem sabemos se algum dia existirá ou se de fato existe.

Visto de longe, causa espanto, indiferença de olhares, mas pra que tudo isso? Somos o que somos, sem mais nada querer qualificar.

Os loucos se aproximam, será que de fato não somos todos loucos? Salda-me a inteligência que vê em mim e se vai, depois volta. Coisas de louco.

Visita de amante interrompem o já não ébrio ar, beijos, papo de barriga e o sorriso feliz de quem ama e se sente amada... Ela o tem e ele a tem...

Passam as horas e o sangue já se mistura, na procura constante de compartirmos tudo, provo o seu e provas o meu... O inesperado pedaço imenso de queijo brie, tão grande como a lua vem até mim.

Indignação da parte dela: Porque eu não encontro um pedaço assim de queijo brie?

Respondo: Azar no amor. Sorte no queijo brie...

Ela ri, uma risada feliz, diz que sente minha falta e que eu sou divertido...

É assim. Somos.

O tempo do ciúme diz: Que estávamos tão lindos na mesa, os dois um casal perfeito que causava inveja, depois eu pensei comigo mesmo enquanto prestava atenção em cores das quais ainda não sei o nome.

¿Sabes quem estava na mesa com nosotros?

A felicidade...

Gildo em: Devaneios meus, parte 3. O almoço a pé...

Fantasma!

Amo las líneas nebulosas de tu cara...
Tu voz que no recuerdo...
Tu racimo de aromas olvidados.

Amo tus pasos que a nadie te conducen...
Amo el sótano que pueblas con mi ausencia...
Amo entrañablemente tu carne de fantasma.

Francisco Hernández


“La columna rota” 1944- Es un desgarrador testimonio del sufrimiento que acompañó a Frida durante toda su vida. La artista se ha representado desnuda de cintura para arriba, con un corsé que envuelve su cuerpo desnudo, en el que una inhumana brecha permite observar como una columna clásica rota en varios fragmentos sustituye a su columna vertebral, claro símbolo de su columna destrozada tras el accidente de autobús. Los autosrretratos de Frida son lamentos silenciosos.

Era uma vez: Amor aos pedaços...

Não posso mais suportar essa situação, impossível conviver assim, não dá mais, pra mim chega.

E de repente como o mar, meus olhos se encheram de lágrimas, porque na minha frente eu via que você me entregava ao esquecimento.

Como eu, sem saber ser o que sou, poderia imaginar viver sem teus beijos e sem o cheiro da tua pele.

Eu e você nunca fomos um nós, e de fato é impossível amar assim, longe, tão longe...

Foi quando ele saiu da minha vida...

Eu ainda pude ver as suas costas largas indo embora.

Deitei no chão e fechei os meus olhos e nesse momento não existia nada entre mim e o vazio e não posso mais descrever o que seguiu depois de mim, pois nessa fatídica tarde de setembro eu nunca mais acordei nessa vida...

Gildo em: Devaneios meus, parte 2 o texto em francês torna o sofrimento mais denso.

sábado, 5 de diciembre de 2009

Érase una vez: amor que no es amor...

Los días fueron pasando y la tristeza se instaló en su rostro, y cada día crecía y parecía no tener más fin, era una tristeza de culpa, de dolor, de pérdidas y daños.
Intenté descubrir el motivo, todo en vano, él había se cerrado en silencios rotos, donde no pude más entrar.

Había me acostumbrado con sus silencios prolongados, aprendí a respetar esa su parte, sabía que él necesitaba de ese mundo, un mundo sólo de él, donde nadie entraba, siempre me preguntaba: ¿donde iría él en el vagón del pensamiento?
Y en medio del silencio yo lo amaba y amo y cada día percibo que lo amo más y no tengo ojos para seguir sin él.

El tiempo va pasando y yo comienzo a consumirme como una vela, cuando él me mira yo me vuelvo un cordero, pero cuando él no me mira yo no soy nada.

Era veinte de noviembre, él entra en casa, pero no era él quien había entrado, era otro, trastocado, sus ojos rojos, su respiración pesada y difícil.

Entonces él me dijo: mi amor por ti se convirtió en espejismos que me hacen que te vea como quiero yo y en la realidad no es así, por más que yo quiera cambiar no puedo, necesitas olvidarme y acostumbrarte a oír de lejos mi voz. Yo me di cuenta que eres tú la herida que sangraba dentro de mi piel. Lo diento, no soy de madera…

Y así salió de mi vida, tal vez nunca haya entrado, sólo pasado por ella. Y desde ese día, mis sentimientos se han convertido en silencios extremadamente ocupados...

Gildo em: Devaneios meus, parte 1.

miércoles, 2 de diciembre de 2009

Simonetta retratada como a Vênus.

O nascimento de Vênus e a beleza de Simonetta Vespucci

O Nascimento de Vênus é uma pintura de Sandro Botticelli, encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco de Médici para a Villa Medicea di Castello.

A obra está exposta na Galleria degli Uffizi, em Florença, na Itália. Consiste de têmpera sobre tela e mede 172,5 cm de altura por 278,5 cm de largura.

A pintura representa a deusa Vênus emergindo do mar como mulher adulta, conforme descrito na mitologia romana.

É provável que a obra tenha sido feita por volta de 1483, sob encomenda para Lorenzo di Pierfrancesco, que a teria pedido para enfeitar sua residência, a Villa Medicea di Castello. Alguns estudiosos sugerem que a Vênus pintada para Pierfrancesco, e mencionada por Giorgio Vasari, teria sido outra que não a obra exposta em Florença e estaria perdida até o momento.

Alguns acreditam que a obra seja homenagem ao amor de Giuliano di Piero de' Medici (que morreu em 1478, na Conspiração dos Pazzi) por Simonetta Cattaneo Vespucci, que viveu em Portovenere, uma cidadela à beira-mar. Qualquer que tenha sido a inspiração do artista, parecem haver influências de obras como a "Metamorfose" e "Fasti", ambas de Ovídio, e "Versos", de Poliziano.



Simonetta Vespucci (1453-1476), "La Bella Simonetta", foi a mulher mais bonita em Florença, Itália. Ela era tão bonita que a continuaram pintando por mais de 20 anos após sua morte. Seu rosto aparece em várias pinturas de Botticelli, como o "Nascimento de Vénus". Botticelli terminou a pintura O Nascimento de Vênus, em 1485, nove anos depois. Alguns alegaram que Vênus, neste quadro, se assemelha a Simonetta, no entanto, esta afirmação, é tida como "um disparate romântico" pelo famoso historiador Felipe Fernández-Armesto! Simonetta Vespucci morreu na noite de 26 ou 27 abril de 1476, provavelmente de tuberculose pulmonar com apenas 22 anos. A cidade inteira lamentou a sua morte e milhares seguiram seu caixão. Rumores alegam que Boticelli também teria caído no amor por ela, uma opinião que foi ainda mais apoiada por seu pedido de ser enterrado a seus pés na Igreja de Todos os Santos - a igreja paroquial da Vespucci - em Florença. Seu desejo foi realizado quando ele morreu cerca de 34 anos depois, em 1510.

miércoles, 18 de noviembre de 2009

Quando o amor envelhece ou não sei se existe em mim, saudades de você!!!



No meio da noite escura, chuvosa e quando temos apenas a companhia da solidão, esperamos a mão que nos resgata e nos segura firme, esperamos o afago e os beijos entorpecentes, cheios de furor... E é assim, sem querer nada qualificar, que sentimos a angústia se esvaecer, diminuir até acabar...
Mas o tempo, senhor de tudo, que tudo nos dá e toma, da sua boca, resta-me a ausência aterradora, na esperança de que um dia voltes a mim e que aplaque a tristeza contida...
E que a vida seja assim, feita de momentos vividos e que as lembranças se apaguem, porque existem momentos que precisam cair para sempre no esquecimento... E se quiseres voltar meu amor, volta não. Porque me partistes em mil pedaços...
Sentirei falta da tua mão na minha, quando elas se encaixavam em nossos passeios de trem pelo velho mundo, e sem saber, deixamos o nosso amor envelhecer, e tudo que envelhece morre... Te digo adeus... E sem saber se te amo... Seguirei tentando... Assim... Porque eu e você, na verdade, nunca fomos nós...

viernes, 13 de noviembre de 2009



Eugène Delacroix, pintor francês, nasceu em Charenton-Saint-Maurice, em 26 de abril de 1798, e faleceu em Paris no dia 13 de agosto de 1863...

Se você me encontrar, por favor, devolva-me!!!

Imerso, perdido dentro de mim, sigo, sem saber de fato o que tenho, o que sou e onde chegarei nessa longa espera que é viver.
Tenho dentro de mim dores insuportáveis e pensamentos tortuosos, tenho outro de mim, outro eu, mais forte, determinado e dominador...
Esse outro eu de mim, me domina, anda só na noite fria e escura, e o eu meu, vai ficando perdido no canto, como poeira esquecida.
A cada dia percebo que o amor não me escolheu, ele foge de mim e quanto mais eu almejo e espero e, sinto que fui encontrado, me perco novamente dentro de mim...
E assim, vou ficando a esmo, vendo o tempo passar sem mim...
Porque os dias tem sido longos e as noites curtas...
E na grande maioria das vezes eu não acordo, eu passo.
E agora, como já fiz outrora, mesmo dilacerado, me movo, vergo e me dilacero...
Vou seguir, na expectativa de que alguém encontre o meu eu e que quando encontrar possa devolver-me.
Mas ciente, mais calmo, mais sereno, mais atento e menos altivo...
E parafraseio Hilda Hilst: "Se eu te pareço noturno e imperfeito, olha-me de novo, porque esta noite olhei-me a mim, como se tu me olhasses. Olha-me de novo, com menos altivez e mais atento"...

lunes, 24 de agosto de 2009



Pintor, gravador e vitralista bielorusso, Marc Chagall nasceu em Vitebsk em 7 de julho de 1887 e morreu em Saint-Paul de Vence, no sul da França, em 28 de março de 1985.

Perdão. Perdi Você...

Este aqui é um fim. Este qual? Pergunto-me sem resposta.
Fim de rastros e constelações soberbas, que sem dó de mim, nem me olham.
A falta de algo em que me apegar me humilha.
Eu e minha pequena solidez, enquanto homem e ser com náusea.
As vezes queria ser árvore. Altiva e forte, mas as vejo com os braços estendidos ao céu, numa dança louca de súplica e desdém.
Outras queria ser pedra, imóvel e inerte, mas essas pisa-as toda a gente.
Está tudo certo, ainda existem cemitérios pequenos?
E quando há engano?
Quando me questiono se a melhor dádiva da vida, poderia ser a de não ter nascido...
O que resta de mim, se um dia hei de ser pó, cinza e nada, que eu saiba me perder pra me encontrar em teus braços castos.

E eu, com meu peito angustiado e cheio de dúvidas vãs, no meu mundo de insônia e insensatez, rogo a solidão da noite e a poeira dos vãos esquecidos, que me deixem sentir na carne e que preencham em mim o puído dos vãos... Pois descobri que dói muito viver e ser oco...

E assim, como quem não espera nada, rio, vergo e me dilacero... Mesmo assim ainda me movo. Sou uma janela sem paisagem...
Tantas preocupações soltas e nenhuma concatenada. Como se pode ser assim, pedi tão pouco – e nada!

Agora brinco com o bem e ao mal se este me falta, espero que voltes a mim, mesmo que seja pra me fazer mal.

Eu, na calada da noite, ainda vejo teu rosto, queria ser cego de nascença, e assim nunca ter te visto e te amado em vão.

Se hoje, sozinho estou, sem amor certo e com amores errantes, esperando que um dia possa sentir-te junto a mim, me pergunto por las noches: Como se pode amar sozinho?

Ou esperar por alguém que sabemos que nunca virá?

Ó estúpido coração que apodrece na ânsia de um dia te ver assim, sorrindo e esse sorrido seja pra mim, e o olhar se fixe nos olhos meus e a tua boca, como o universo em êxtase, daqueles êxtases pagãos que vencem a morte, se una assim, sem nada querer qualificar...

Porque hoje não tenho mais amigos. Por ti não tenho amigos. Por não ser mais quem eu era, e como sou algo novo, que nem mesmo ainda sei se gosto, os amigos vêm e partem, numa eterna inconsistência vazia, como uma daquelas conchas de quem o mar esqueceu.

E por ora é isso, estou aqui com meus sentimentos, aos poucos vou abandoná-los, um a um. Até que a minha vida se transforme em silêncios extremamente ocupados.

sábado, 22 de agosto de 2009



James Ensor (Ostende, 13 de Abril de 1860 — 19 de Novembro de 1949) foi um pintor belga dos séculos XIX e XX.

Era filho de James Frederic Ensor, um engenheiro de origem inglesa e de Maria Catherina Haegheman, de origem local modesta. Ensor foi ao longo de toda a sua vida um ser marginal e solitário e é dificil encontrar um outro artista do século XIX e XX cuja obra seja tão complexa, estranha e tão rica de interpretações.

Ensor ficou particularmente famoso pelos seus desenhos e pinturas de máscaras e multidões que utilizou como crítica social. As suas obras estão espalhadas por museus e colecções particulares de toda a Europa.

Ensor faleceu em 1949 após três semanas de agonia. Está sepultado em Mariakerk, no cemitério junto da igreja de Notre-Dame-des-Dunes.

martes, 18 de agosto de 2009

Reflexão e incompreensão...

Nos últimos tempos, para ser bem redundante, tenho prestado atenção ao tempo que me resta, mesmo sem saber ao certo quanto me falta.

São pensamentos, reflexos de paisagens de lugares a onde nunca estive e talvez por isso, nunca regressarei...

Tenho tentado ser quem não sou, mostra-me a mis mesmo e com isso, me vi sem ser ou saber que nesses últimos instantes, nada me basta...

Ando com o coração angustiado e cheio de insatisfação, por coisas ou defeitos, talvez da própria traição de mim mesmo, de não ter as escolhas bem acertadas, de não ver que a vida é feita de ciclos, não os enxergo, ou não os quero enxergar e assim sigo inerte e só com o se eu estivesse sozinho em um mar de rostos...

É como agora, chega sem pedir licença um vazio insuportável que em transporta para onde não sei e onde não quero ir...

Culpa minha, abandonei os meus sentimentos e agora a minha vida é um caminho eterno de silêncios extremos e ocupados...

E na perspectiva ilusória de encontrar alguém que me esquente quando for frio e me compreenda quando eu me sentir completamente incompreendido... é quando me falta o chão e o maldito calor de tuas mãos...

E com veia poética digo assim, meio sem rima:

Sem você sou poço oco, sou parede sem reboco, sou vitrola sem tocar, sou peixe fora do mar, sou barco sem vela, sou pintor sem aquarela, sou assim, uma lagoa rasa, sou um pássaro sem asa sem poder voltar pra casa e em teus braços me entregar.

viernes, 24 de julio de 2009

Hilda Hilst



Paulistana de Jaú, nascida no dia 21 de abril de 1930 e falecida a 4 de fevereiro de 2004, Hilda Hilst é reconhecida, quase pela unanimidade da crítica brasileira, como uma das nossas principais autoras, sendo consideradas uma das mais importantes vozes da Língua Portuguesa do século XX. Segundo o crítico Anatol Rosenfeld, “Hilda pertence ao raro grupo de artistas que conseguiu qualidade excepcional em todos os gêneros literários que se propôs - poesia, teatro e ficção”.

Dez chamamentos ao amigo!!!

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
(Hilda Hilst)

miércoles, 22 de julio de 2009

Sylvia Plath




Sylvia Plath (Jamaica Plain, Massachusetts, 27 de Outubro de 1932 — Primrose Hill, Londres, 11 de fevereiro de 1963) foi uma poetisa, romancista e contista norte-americana.

Reconhecida principalmente por sua obra poética, Sylvia Plath escreveu também um romance semi-autobiográfico, "A Redoma de Vidro" ("The Bell Jar"), sob o pseudônimo Victoria Lucas, com detalhamentos do histórico de sua luta contra a depressão. Assim como Anne Sexton, Sylvia Plath é creditada por dar continuidade ao gênero de poesia confessional, iniciado por Robert Lowell e W.D. Snodgrass.

Amar? Para quê?

Sempre que a vida nos apresenta o amor como algo inusitado, olhamos com desconfiança, ficamos quebrando espelhos e tentando achar respostas para algo que na verdade não se pode explicar. O amor é assim, ele chega e ele vai. E como fazer pra que ele fique de vez? Que a salada antes saboreada só, tenha companhia? Como fazer ou o quê fazer para saber que esse amor é "aquele" que nos verá envelhecer e mesmo assim ainda nos amará como a primeira vista? Respostas são para aqueles que tem medo, e o problema é que eu já caí. Fica a dúvida e a companheira solidão, passam os anos, secam as lágrimas, deixa-se o desejo, escreve-se, aconselha-se, ouve-se, reclina-se sobre o tempo e como poeira em noite de vento frio, levanto-me, suspiro e me faço deitar novamente...

Pensamento torto assim o meu, que esqueceu que é possìvel amar e deixar-se amar, que os erros acontecem no amor, que a vida foi feita pra ser vivida a dois. E se esses dois serão seis ou vinte e sete, o que importa é que o amor com todo ardor, tenha espaço na vida, e que venham as cores, e que sejam mais vivas com esse amor; e quando vier a dor, agarre-a por quinze segundos e depois deite-a fora dos lençóis que antes acolheram com calor esse mesmo amor e jazem agora frios. Tenho a convicção de que voltaram a ser aquecidos.

Na calada da noite fria e cinzenta te confesso que não te quero ter, porque um dia posso acordar chorando e esse choro contido transbordará, porque tenho medo de te levar comigo nesse mar de lágrimas que eu fiz pra navegar. E de tua boca, esperava ouvir: "Meu amor, eu te prometo, aprenderei a nadar"...

E fica a velha tentativa, meio a esmo, meio a sorrelfa, sorrasteira e pertinente...

Pergunte-se. Ouse perguntar-se:

É melhor errar amando ou acertar sem amor???

Confesso que prefiro acertar sem amor... Apesar das palavras lançadas acima...

Um beijo e não me liga...

lunes, 13 de julio de 2009

Jean Nicolas Arthur Rimbaud (20 de outubro de 1854, Charleville - 10 de novembro de 1891, Marseille). Escritor francês.

Amanecí en tus brazos

Amanecí otra vez entre tus brazos
y desperté llorando de alegría
me cobijé la cara con tus manos
para seguirte amando todo el día.
Te despertaste tú casi dormida
tú me querías decir no sé que cosa
pero callé tu boca con mis besos
y así pasaron muchas muchas horas.

Cuando cayó la noche, apareció la luna
y entró por la ventana
qué cosa más bonita cuando la luz del cielo
iluminó tu cara...

Yo me volví a meter entre tus brazos
tú me querías decir no sé que cosa
pero callé tu boca con mis besos
y así pasaron muchas muchas horas.

Chavela Vargas

lunes, 6 de julio de 2009

A máxima de hoje!!!

Durante o almoço hoje com dois amigos, quase morro engasgado de tanto rir...
Duas máximas saídas e para não esquecê-las, resolvi lançá-las no universo paralelo onde vivem todos as canetas bic.
Só eu entenderei o contexto, mais aí vai, tentando ser desapegado de todos os pre-CON-Ceitos...

Máxima número 1:
Noooooosssssaaaa... Ela pediu pra ser feia no Vale dos Ecos...
Quero ser feia, quero ser feia, quero ser feia, quero ser feia...

Máxima número 2:
Bulimia é o caralho, eu quero é um pilão...

E a vida é assim...

sábado, 4 de julio de 2009



Fhotografh by Greg Gorman

Outra Era

Quando a vida me leva
Pra longe do meu bem
Fico parecendo um trilho
Onde não passa trem
Olho pro céu o céu é mais além
Miro o espelho e não vejo ninguém
Tambor dentro do peito, coração manera
Pára de chover que já é primavera
A manhã já vem e parece quimera
Mera fantasia de quem só espera
Se eu não morrer Eu vou te ver
Amanhã depois em outra era
Em Tel Aviv, Bagdá, Brasília
A saudade ilha
E quem dera eu fosse o mar, quem dera
Em Fortaleza, Pequim, Bora-Bora
A tristeza chora
Quem dera eu pudesse te beijar agora

Composição Fagner e Zeca Baleiro
Cantada por Ceumar

domingo, 14 de junio de 2009

A burrinha da felicidade ou a tampa da panela...

Nos ditados populares, repassados de geração em geração e, evidentemente modificados de boca em boca, lembrei-me de uma canção que diz o seguinte: "Se avexe não, que a burrinha da felicidade nunca se atrasa, se avexe não, que um dia ela passa na porta da sua casa". Nada de príncipe em cavalo branco, uma simples e feliz burrinha. E no meio de tantas tragédias humanas, sentimentos resguardados, onde a felicidade anda escassa, peguei-me pensando em meio a dores fortes de cabeça, tremores, febre altíssima, calma... Não é a suína, assim espero. Voltando... Reza a lenda que há muitas luas, uma saborosa iguaria, conhecida como "charque", era produzida da espécime que na canção citada acima, seria encarregada de trazer a felicidade... Me peguei pensando mais uma vez, será que ela nunca veio porque virou charque?

Mas como desistir não é fácil, tem mais...

Reza outra lenda que todos nós somos comparados com panelas e respectivamente toda panela possui uma tampa que lhe encaixa perfeitamente. Dizia minha mãe, "toda panela tem sua tampa meu filho, às vezes não encontramos a certa, mas é assim mesmo, a errada dá um jeito". Triste com isso, pensei, ficar com a tampa errada, ou seja, com a pessoa errada, não me pareceu muito justo. Como o pensamento muitas vezes não tem domínio próprio, me peguei pensando novamente, se é um dito popular, obviamente que na época em que surgiu, não existiam as panelas sofisticadas de hoje em dia. Lembro das panelas de barro da minha querida e saudosa vó, e lembro ainda do fogão de lenha, onde jaziam as imensas panelas de barro, uma das maiores era onde minha vó preparava as cocadas, e sobre ela uma triste e sem gracejo algum, tornando-se cada vez mais escura, uma vez que não foi feita para fogão a lenha, estava lá, uma tampa vã de alumínio. Pensei, é assim a vida de muitos casais, absorvida pelo erro, mas pelo medo da solidão vindoura, do medo de estar só quando Kerollynne vier nos dar a mão e nos encaminha para a luz ou não, fazemos isso, escrevemos tristezas no seio da terra, juntamos a ilusão do incerto pela segurança de ter alguém... Mesmo que não seja quem gostaríamos que fosse, mas nada de tristezas infindas. Revelo que apesar da panela não ter a sua tampa apropriada, as cocadas eram deliciosas. Talvez a vida seja assim, nos habituamos e com o tempo aprendemos a amar, reinventamos o amor...

E eu? Com tantas agonias e vendo o tempo passar, fico ainda, olhando vez ou outra as pessoas que passam apressadas pela rua da cidade, imaginando que tanto a burrinha da felicidade quanto a panela e a tampa, são sinônimos e antônimos pra alma gêmea, mas essa coisa de alma já foge do meu entendimento, acreditando em Oscar Wilde que disse sabiamente: "Aqueles que veem qualquer diferença entre corpo e alma, não possuem nenhum dos dois".

Feliz Dia dos Namorados

domingo, 31 de mayo de 2009

Amor é isso.

Janeiro 24, 2009 — Texto da Jandira

Nada melhor que uma amizade sincera e limpa para afagar a alma da gente. Nas últimas duas semanas tive a companhia do meu amigo Gildo, que é o meu amor, irmão, namorado, marido, pai, filho, que também é mãe, irmã, amiga, companheira, amada, amante, tudo isso junto numa só pessoa. Hoje ele voltou para casa, em Brasília, e me deixou um recadinho. É que ontem estávamos contabilizando quantos presentes ele já me deu e quantos eu já dei a ele. Dele ganhei tapete, quadro, copos, porta-copos, cachecóis, adorno, enfeite, roupa, massagem, cuidado, carinho, livro, make up, produção para sair, apoio para enfrentar desafios, colo para curar desilusões amorosas… um monte de coisas. E não conseguíamos lembrar, ontem às 2 da madrugada, os presentes que eu havia dado a ele. Olha só o que ele lembrou hoje, antes de ir.

Ah… Witney sou eu, apesar da minha juventude. Hehe…

viernes, 29 de mayo de 2009

Marc Chagall (Vitebsk, Bielorrússia, 7 de julho de 1887 — Saint-Paul de Vence, França, 28 de março de 1985)

Não sou tão má como disseram por aí...

Andei pelos cantos...
Recostado igual cabo de vassoura.
Pisando em alfinetes nas madrugadas.
Esperando que alguém me faça um chá...
Ledo engano esse de esperar a paixão furtiva, se é furtiva ora, passará...ê saudade que dá e passa, como a dor, que assim, sem querer se instala em nosso peito.
Essa é mais amarga, sorrateira. Entra sem ter permissão, cava espaço, encosta no teu ego, conversa com ele e pouco a pouco te deprime, dizendo que você não é nada, que a vida é só isso mesmo...
Que os pássaros se chocam com as vidraças, que as coisas do banheiro saltam sem explicação plausível e renomada, assim como a confiança que a gente perde e nunca mais acha...
Por falar em coisas que se perdem, tenho sentido que me perdi de mim mesmo, por acaso se alguém encontrar "mim mesmo", avise-o que preciso ter um conversa muito séria com ele...
Fugidio como a luz cambaleante de uma vela ao vento e na escuridão ou rápido como a desilusão ou seria talvez a dor de ser enganado depois de pensar que encontrou o amor...
E assim a vida segue, os anos passam e você pensa que está fora de si, quando na verdade você nunca esteve em parte alguma...
Lembrei de um poema que diz: "Tenho medo de entrar dentro de mim e nunca mais me encontrar", Sabem de quem é, meu...
Pergunto: Se eu não entrar em mim, como caralho voador vou permitir que outros entrem?
Taí, solidão é algo de fato opcional, pode-se estar sozinho em um mar de rostos...
E a culpa de tudo isso é dela...
Minha melhor amiga que anda me traindo...
Enquanto a única coisa que vai passando a mão em mim é o tempo.
A minha MENTE tenta me convencer que ela não é tão má como disseram por aí...
Vai saber ou acreditar...
O certo é que ele vem pra todos...
Ele quem?
O tempo.
Que tudo cura, tudo destrói, tudo apaga, tudo dá e tudo tira...
Termino assim sem nexo, citando algo que li na última madrugada.
Que de fato me consome tempo e pra mim é o próprio tempo.
Eu olho a árvore e a árvore me olha, ela quer me dizer algo, me aproximo e encosto meu ouvido mouco no seu tronco envelhecido...
Ela diz:
"Eu sou a madeira do teu berço, a madeira da tua enxada, a madeira do teu cajado e serei a madeira do teu caixão"...

miércoles, 27 de mayo de 2009

Romã

Lara Flinn Boyle


Mesmo sabendo nunca pensamos e se pensamos, tentamos disfarçar...
Eu descobri que vou morrer...
Descobri com um tom espantado de mim mesmo.
Vou morrer um dia...
Então não devo ter mais medo da vida...

Tenho todos os direitos,
Inclusive o de ser feliz...
O de me arriscar em tudo.

Hoje eu queria ser fresca e bela como uma romã.
Mas acontece que sou ontem...

Não quero...
Mas as vezes acordo...
E pareço-me com um desmaio...

Sem sangue...
Sem cor...
Sem vivacidade de alma...

E quando eu morrer, vou sentir tanta saudade de mim mesmo...

martes, 26 de mayo de 2009

Déjà vu

Eu já vi
Déjà vu
Deixa ver
Eu a ti

Pareço com você
Que parece eu
Há muito tempo
Tento a gente

Combinar
Penicilina e dor
Janela e cantador
Cor e cortina

Me anima
Me ensina
A não bater na quina
Andar na corda bamba
Saber virar na esquina

O amor as vezes não cura!!!

Marc Chagall (Vitebsk, Bielorrússia, 7 de julho de 1887 — Saint-Paul de Vence, França, 28 de março de 1985)

Procurando um beijo a meia noite!!!

Estúpida razão,
Fria,
Morta,
Calculista.

Espera de redes,
Encanto,
Solidão.

Não sou eu quem te procura no meio da noite.
Não sou eu quem chora e ninguém ouve.
Não sou eu quem não acredita mais no amor.
Não sou eu quem penso em te beijar.
Não sou eu quem te espera como recompensa de meu penar.
Não sou eu quem nem sabe mas ser eu.
Nem sou mais eu quem escreve...
Versos soltos.
Sem sentido...
Sem paixão...

Ouço a mesma música enlouquecedora...

Bom dia tristeza...
Que tarde tristeza...
Você veio hoje me ver...
Já estava ficando...
Até meio triste...
Com saudades de você...

Meu amor...
Se eu disser que não te quero ter...
Acredita em mim e parte...
Sem dizer adeus...
Sem lágrima no olhar...

As lágrimas são minhas...

Pois é de lágrima que eu faço o meu mar pra navegar...

sábado, 23 de mayo de 2009

Amedeo Clemente Modigliani (Livorno, 12 de Julho de 1884 — Paris, 24 de Janeiro de 1920)

Apague a porta e feche a luz meu amor...

Graças a deus que estou louco.
Meu coração estourou como uma bomba.
Que tudo quanto me dei voltou em lixo.
Sossega, coração inútil, sossega!
Sossega porque não há o que esperar.
E por isso, nada que desesperar também...
Adiemos tudo até que a morte chegue...
Ou a limitadora velhice.
Mas eu, em cuja alma se reflete as forças do universo,
Em cuja a reflexão emotiva e sacudida,
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas absurdas sucedem dentro de mim...
Eu o foco inútil de todas as realidades...
Eu o fantasma nascido de todas as sensações...
Eu o abstrato, o projetado pra fora de mim mesmo...
Olhos cegos do entardecer...
Lembro-me mas esqueço.
Tenho vontade de vomitar, vomitar a mim mesmo...
Tenho uma náusea, se eu pudesse comer o universo para em seguida vomitá-lo, eu o comeria...

Apague a porta...
Feche a luz...
É tudo que eu posso te dizer nesse momento...

jueves, 21 de mayo de 2009

Serenata Suburbana

Levo a vida em serenatas,
somente a cantar.
Quem não me conhece
tem a impressão
de que sou tão feliz.
Mas não é isso não.
Se eu canto em serenatas
é para não chorar.

Ninguém sabe a dor que eu sinto,
dentro de mim.
Ninguém sabe porque vivo,
tão triste assim.
Se eu fosse realmente
muito feliz
não chorava quando eu canto.
Nem cantava
pra abafar meu pranto.

Capiba

The slow build - Duels

So we argue about the stupid things
Decide to take a week off from the binge
But just become more sick
And more deranged
It gets round can't take anymore
And did anything really change?
Do we have to be so tired
Can you think of something else to say?
Something inspired..
Oh well, that's just the way things go round here

Now we all love a good secret but,
Do you want to know the real reasons why?
We can't look each other in the eye, oh no
We will cry in the same films but
We cry for different reasons
The ending was good
That is uynderstood
The ending is near
Now what do you hear

The slow build
The sound the machines make
The sound of a heart break
The sound of one person alone at the end of the night
The slow build
The sound that the trains make
Lonely people are too late
The hum of the television talking to no-one

So we slept right through the night again
Thinking about what we said to our friends
It's nothing really, don't you fuss
Ain't nothing wrong with the two of us.
And the problems came from here
And there and everywhere
And the government says that we should care
Much more about each other
We have a contract with our brothers

Now we all love a good secret but,
Do you want to know the real reasons why?
We can't look each other in the eye, oh no
We will cry in the same films but
We cry for different reasons
The ending was good
That is understood
The ending is near
Now what do you hear

The slow build
The sound the machines make
The sound of a heart break
The sound of one person alone at the end of the night
The slow build
The sound that the trains make
Lonely people I'm too late
The hum of the television talking to no-one

The slow build
The sound the machines make
The sound of a heart break
The sound of one person alone at the end of the night
The slow build
The sound that the trains make
Lonley people are too late
The hum of the television talking to no-one
Talking to no-one
Talking to no-one
Talking to no-one

lunes, 18 de mayo de 2009

Vale do Jucá

Era um caminho
Quase sem pegadas
Onde tantas madrugadas
Folhas serenaram
Era uma estrada
Muitas curvas tortas
Quantas passagens e portas
Ali se ocultaram?
Era uma linha sem começo e fim
E as flores desse jardim
Meus avós plantaram
Era uma voz
Um vento, um sussurro
Relâmpago, trovão e murro
Nos que se lembraram
Uma palavra
Quase sem sentido
Um tapa no pé do ouvido
Todos escutaram
Um grito mudo
Perguntado: aonde
Nossa lembrança se esconde?
Meus avós gritaram
Era uma dança
Quase uma miragem
Cada gesto, uma imagem
Dos que se encantaram
Um movimento
Um traquejo forte
Traçado, risco e recorte
Se descortinaram
Uma semente
No meio da poeira
Chão da lavoura primeira
Meus avós dançaram
Uma pancada
Um ronco, um estalo
Mil trupés e um cavalo
Guerreiros brincaram
Quase uma queda
Quase uma descida
Uma seta arremetida
As mãos se apertaram
Era uma festa
Chegada e partida
Saudações e despedidas
Meus avós choraram
Onde estará aquele passo tonto?
E as armas para o confronto
Onde se ocultaram?
E o lampejo
Da luz estupenda
Que atravessou a fenda
E tantos enxergaram?
Ah, se eu pudesse só por um segundo
Rever os portões do mundo
Que os avós criaram…

Siba e a Fuloresta do Samba

lunes, 4 de mayo de 2009

Estrela do Mar

Um Pequenino Grão De Areia
Que Era Um Pobre Sonhador
Olhando o Céu Viu Uma Estrela
E Imaginou Coisas De Amor

Passaram Anos, Muitos Anos
Ela no Céu e Ele no Mar
Dizem Que Nunca o Pobrezinho
Pode Com Ela Encontrar

Se Houve Ou Se Não Houve
Alguma Coisa Entre Eles Dois
Ninguém Soube Até Hoje Explicar
O Que Há De Verdade
É Que Depois, Muito Depois
Apareceu a Estrela Do Mar

miércoles, 22 de abril de 2009

Desfaça-se de mim...

Uma vez você falou
Que era meu o seu amor
Que ninguém ia separar
Você de mim
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Prá que você
Me trate assim?...

Todo amor que eu guardei
A você eu entreguei
E eu não mereço tanta dor
Tanto sofrer
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Prá que você
Me trate assim?...

Toda ternura que eu lhe dei
Ninguém no mundo
Vai lhe ofertar
E seus cabelos
Só eu sei como afagar...

O meu pobre coração
Já não quer mais ilusão
Já não suporta mais sofrer
Ingratidão
Agora você vem dizendo
Dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Prá que você
Me trate assim?...

Agora você vem dizendo
Me dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Prá que você
Me trate assim?
Toda Ternura...
Se acabo lo que sentía por ti.
Descanse en paz en un cementerio alejado.
Sucio y muy bien apuntalado.
Según pase el tiempo empieza a florecer mi vida lejos de ti.
Me doy cuenta que eres tu la herida que sangraba dentro de mi piel.
Y como pude creerte...
Eres malo actor.

Según pase el tiempo...

sábado, 18 de abril de 2009

Água de Beber...

“Eu sempre tive uma certeza, que só me deu desilusão. É que o amor é uma tristeza, muita mágoa demais para o coração. Eu quis amar, mas tive medo e quis salvar meu coração é que o amor sabe o segredo, o medo pode matar o teu coração”.

miércoles, 15 de abril de 2009

Esquenta-me com tua adivinhação de mim...

Adivinha-me porque faz frio

Nestas noites frias e chuvosas o pensamento galopa por lugares desconhecidos e o que era perdido torna-se irrecuperável, diante de mim, passa o passado, soberbo e inerte, sem querer ser ou qualificar nada, apenas passa e volta e mais uma vez passa...
Eu fico aqui, sem saber sentir e me questiono, me pergunto, me dilacero, meu peito irrompe loucamente, como um desejo de portas por abrir.
Eu que já não era nada, torno-me pó, cinza e nada sei. Antes quisera saber e poder reaver algo que nem suponho o que possa vir a ser, o devir, e agora no meio de tanta gente e só comigo mesmo eu me redescubro velho, envelhecendo seria a palavra adequada a desadequação da vida...
A hora dos questionamentos, esse maldito calor da hora. E agora?
E agora?
E agora?
Respostas, por favor, tenham dó, tenham piedade desta alma inquieta, que sem corpo e sem separação começa novamente a vaguear, perdida no calabouço, lançado como um açoite numa noite fria e escura, solto como um grito de dor de abandono, sem amor, oco, vazio. Torno-me mais uma vez pó...
Eu te vejo, mas não sei onde estás e nem ao certo de um dia virás, tudo que peço é que venha e adivinha-me porque faz frio, esquenta-me com tua adivinhação de mim. Compreende-me, porque eu não estou me compreendendo.

Quando eu puder te olhar novamente!!!

Doces para quê?

Então, que venham as dúvidas omissas, sem querer ser, saber ou qualificar algo...
Que as sensações de um corpo possam explodir diante do nada e que o vazio nunca seja totalmente preenchido, pois assim nunca nos saciaremos. Que as gostas que caem lá fora, continuem no seu eterno bailar e que o corpo que uma vez cala, seja espelho e que se há uma correnteza na vida, que nos move e que nos leva, que nunca tenha uma direção...
Então te pergunto sem ser questionador...
Doces para quê?
Já o amargo me fascina, pois ele me é desconhecido e aterrador, não tenho medo de fantasmas, abro as portas para eles, que venham com suas mentes insanas, que passem por mim e me ensinem a vagar nesse universo em que me abismo...
Porque eu sei, mesmo que ainda que duvide, o sol nascerá outra vez e eu verei sorrisos, flores, nuvens, embalo de rede, vento no meu rosto e em meu cabelo, passeio de tarde, manhã de domingo e um afago ainda que vago de alguém que diz que me ama...
E eu por pura convicção, a dar crédito para essa natureza humana e inconstante, aceitarei esse amor, porque nunca conheci ninguém que tenha vivido duas vezes...

viernes, 3 de abril de 2009

E como ser sem sentir?


Roube um lápis para mim!

Nesse êxtase pagão que vence a sorte, dou-te meu corpo prometido a morte...
Tenho uma efusão de palavras que se movem em demasia dentro de mim, a maioria não quer sair, não há um sentimento forte que possa exprimí-las, e é nessa imensidão que sinto uma angústia cada vez mais crescente e a cada dia que nasço, acho muito complicado colocar as palavras no mundo, e as vezes, por não haver mais gestos, eu me calo e enlouqueço diante da folha de papel em branco...
E é assim, nesse vai e vem como a sorte, como os beijos que vão de boca em boca, como as palavras que gritam trancadas, como as frases que anseiam por dizer, sentir, latejar o pensamento, não enlouquecer na noite fria, acalmar-se com o tempo que tudo nos dá ao mesmo tempo que tudo nos toma...
Eu suplico, que você venha, munido de respostas, com as suas costas largas, com o seu amor insano, com seus beijos que aterram e despertam o mais profano em mim...
Mas não se esqueça meu amor...
Antes de vir, antes de chegar, antes que o sol se ponha, antes que a luz se apague eu te rogo...
Roube um lápis para mim...

miércoles, 1 de abril de 2009

Febre Terçã

De repente, no desvario teu, meu corpo estremeceu. Não foi de amor, desejo, emoção, felicidade ou algum outro sentimento desses que aquecem a alma e fazem o sangue pulsar nas veias latejantes.
Meu corpo foi acometido de calafrios imensos, maiores que minha própria dor, maiores que eu... Sozinho, sem sentir ou saber o que se passava por meu corpo, deixei que as sensações viessem, não foi acolhedor, em minhas mãos, ou ao alcance das mãos estava a medicação que dissiparia temporariamente esse pavor, esse penar...
Mas preferi deixar-me levar, e assim fui... Águas desconhecidas, meu cérebro aquecido fervilhava e lembrei de vivências da infância, partes doloridas, pois em um estágio de febre convulsivante não se pode esperar sonhar com flores, sombra de árvore, vento no rosto, carinho sem esperar ou pedir...
Foram três dias amargos, três amargos dias e assim, pensei na vida que vai, na vida que se esvai, pensei na morte, na tão temida e odiada morte que anda no mundo e chegará pra todos, inclusive para aqueles que não querem ir...
Sempre, e sempre e tanto, nesses momentos, falo de mim mesmo, mas creio que outras pessoas sentem o mesmo, refletem o tempo que se perde e de tudo que se deve fazer ou de outros planos desfeitos e outros que nem foram ao fim e nunca serão concretizados... Eu acho a minha vida uma quantidade infinita de incertezas, ao mesmo tempo em que luto comigo mesmo para não ver a vida passar na esperança, ou para os mais incrédulos na expetativa de que algo mude, algo aconteça, mas ser expectador, mero e simples expectador de flores que murcham sem desabrochar, de dias de sol trancado em um quarto onde a luz não entra, sem amor predestinado, com coração que sangra por mil feridas abertas, e assim, se esquece de bater fortemente, apaixonado pela vida, sabendo que se há algum minuto desperdiçado, foi desperdiçado com algo que pra o ego, foi válido...
Eu poderia dizer do amor que tive, mas não posso dizê-lo, e não dizendo, fico assim a esmo...
Mas sou, ainda, um eterno apaixonado pela vida, mesmo parafraseando o eterno poeta Cazuza, "Vida loca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve"...

lunes, 23 de marzo de 2009

Bom dia tristeza

Bom dia tristeza
Que tarde tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue tristeza
Se sente comigo
Aqui nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes

Instante de dois

Não quero que você me coma
Não quero que você me engula
Não quero que você me acorde
Não quero que você me durma
Não quero que você me assista
Não quero que você me assuma
Não quero que você me corte
Não quero que você me inclua

Eu só quero um segundo teu
E um segundo meu
Um instante de dois
Sem mais, nem pra depois eu te dizer
Que eu te amo não
Te amo demais para ser prisão
De dois
Amor

Cibelle

Sobre a quantidade infinita de incertezas...

As vezes eu queria dormir um sono só, penso e os pensamentos não são meus, vejo o tempo e o tempo que tenho, o tempo que resta, tenho medos e eles não querem me deixar...
Não quero me entregar ao amor, aconselho amigos, participo de discussões, enxugo as lágrimas, ouço as súplicas, vejo o estrago que esse sentimento causa nas pessoas e nos corações humanos...
O meu coração eu pus no bolso, e ao contrário da canção, não apareceu um moço pra tirar ele dali, e se houvesse tirado, e se eu tivesse deixado e se...
E com uma quantidade infinita de SES, não sei o que fazer com o que me rodeia. Estou precisando de tristeza, dos braços aconchegantes da tristeza, de sua mão, de seu silêncio, das paredes do meu quarto, de retratos na parede, de notícias no jornal...
Não quero nunca uma janela de frente para o crime, prefiro as árvores e o canto dos pássaros, não quero maresia no meu rosto... Quero a paz da noite, as gotas de chuva e nunca ter um amor para recordar...
E quando a velhice chegar, ai de mim que nada sei, que nunca amei, que talvez tenha amado sem mim, tenha sido um eu no outro, e nesse vai e vem da vida, fui aos poucos abandonando os meus sentimentos, e hoje, vejo a minha vida como um silêncio extremamente ocupado, sem querer ou gostar de perturbações, de exaltações fora de hora...
Hoje, mas que nunca, tento ser alguém que não sou, uma pessoa melhor, sem linha divisória entre a tristeza e alegria, sem vícios permanentes, quero e tenho o direito a ser triste quando queira e quanto a isso, quanto a esse desejo, não interessa e não desperta nada em mim e sim em outros...
Confesso que tenho medo, a deixei tanto tempo presa, nunca soube como expulsar esse sentimento que corrói, que alucina, que me faz cavalgar no vagão do pensamento...
Apenas espero que ela me venha e me faça bem, me faça refletir sobre o tempo que resta, sobre as portas e janelas de minha vida...
E pelos longos e estreitos corredores vazios de minha vida e esqueça tua imagem serena e petrificada e possa seguir sem rumo, com o resto de felicidade que a vida me roubou…
inha vida, onde há muitos querendo entrar e seu sem rota de fuga não os deixo passar, não quero silêncios interrompidos, não quero perguntas fora de hora, não quero abraços de compaixão nem olhares de pena, cheios de sentimentalismo...
Quero apenas me afogar no mar de rostos que vivo e sair fortificado, e outra vez poder entrar, não quero a mão estendida nem a palavra que consola, não quero outra metade nem amigos intrusos, quero o amor que passa, a paixão tardia, o beijo profano, quero ser largado sempre no altar, sentir no puído da carne a dor do abandono, de nunca ter ninguém e assim permanecer, sozinho, alone, solo...
Y que nadie me extrañe, que yo no pueda ser algo que nunca supe, quizás algo que nunca podré venir a ser…

jueves, 12 de marzo de 2009

O amor de 50 centavos...

Nos últimos tempos o amor tem mostrado as suas facetas. Ele chega sorrateiro e quer entrar em mim, entrar no meu coração, eu, sem saber direito quem sou e já com saudades de mim mesmo, achando plenamente que "a vida nunca é o que a gente somos", me deixei levar por esse sentimento, ao mesmo tempo que creio que a vida não nos fornece o necessário, não gosto de sentir saudades, não gosto de saber que alguém espera por mim, pois tenho as minhas próprias convicções sobre o ato de esperar. Esperamos muito e nos damos pouco, então o ato de se entregar consiste em viver sem esperar, mas viver sem esperar não é possível, pois somos ensinados a esperar, a saber esperar...
Assim, me dei, me entreguei, e agora sigo inerte e só, mais uma vez e talvez sempre, se é amor, se houve amor, que esse seja apenas o do abraço sufocante e apertado, das marcas do desejo no pescoço, dos beijos com sabor de ameixa e cigarro, das sensações prolongadas, do carinho em excesso, da triste ausência da partida, da dor que há de cessar e passar e assim ser mais uma cicatriz, não daquelas que incomodam, mas daquelas que são lembradas no calor da hora...
Eu sigo, permitido ou não, não vejo diferença entre alma e corpo, não vejo solução para um amor presente... Tenho em mente que esse não foi uma fuga, apenas o curso da vida que me entregou um amor e tão rápido me tirou a perspectiva de algo que poderia ser grande, mas não foi... Não posso esperar nem pedir que o amor espere, não consigo, trago em mim a dor de permanecer assim, vagando, com o amor de boca em boca, como os pobres que vão de porta em porta...

jueves, 5 de marzo de 2009

E é assim, simples assim...

Respeite mesmo o que é ruim em você Não queira fazer de você uma pessoa perfeita. Não copie uma pessoa ideal, copie você mesmo, esse é o único jeito de viver...

Clarice Lispector

O tal do sexo...

Ultimamente me entreguei aos prazeres da carne, sempre pudico, com muitas restrições sobre o que gosto de fazer e o que não gosto, desejos do corpo, sentimento de culpa, vejo e nem imagino como poderia ser feito...
Me deixei levar, talvez pela idade, talvez pela solidão, nem sei ao certo...
Uns me beijam e eu queria que nunca acabasse, outros não me beijam, sentem pressa do óbvio e nesse emaranhado de sentimentos, de orgias e orgasmos, suores, odores, sussurros, gemidos, ficam eu e meu corpo discutindo dentro do vazio...
Se o sexo fosse feito apenas para procriar, pra que teria o gozo, e se no sexo não tivesse o gozo as pessoas não o fariam, seria apenas para a procriação...
Então a dúvida permanece...
E o que é então esse desejo que vem crescendo, esse desejo de beijar a mesma boca, de chegar em casa numa noite de frio e ter alguém pra te aquecer...
Ter alguém pra segurar tua mão no cinema...
Alguém pra você nunca mais almoçar sozinho...
Alguém pra te acordar com beijos numa manhã cinza e chuvosa de domingo...
Mas onde está esse alguém, estará com outro...
Aí fica inevitável...
Fico triste e penso na Florbela Espanca...
E deixo esse soneto que diz tudo sem precisar qualificar nada...

Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Tenho medo de buceta!!!


Não gosto de buceta...

"Acho que tenho pavor dessa coisa de perder os dentes, que eu associo à idéia de morte. Por isso estou aflita pra ir ao dentista. Mas são deslumbrantes as vantagens de ser banguela. O chato é que a gente não pode rir nunca. Só que, no meu caso, a perda dos dentes veio um pouco tarde: agora eu não chupo mais o pau de ninguém. Há vinte não vejo um pau.(...)
Um amigo meu estava tomando banho aqui em casa. Entrei por engano no banheiro e, quando vi o pau dele, comecei a rir sem parar e fui hospitalizada. "Meu Deus, é por causa disso que se briga tanto neste mundo?", pensei. Ri tanto que fiquei com falta de ar. Tenho bronquite asmática.
Tiveram que me hospitalizar, de tanto que ri... essa coisa de sexo fica tão desimportante depois que a gente envelhece. Fica cômico também, não dá mais pra levar à sério. Então, a gente só pode rir com esse negócio de foder.(...) pra mim tudo ficou esquisito agora.
Posso achar a pessoa muito bonita, mas não tenho atração por nenhum homem. Nem por mulher. Por mulher seria ótimo. Parece que Simone Beuavoir ficou lésbica na velhice. Essa chance eu não tenho.
Sempre tive medo da buceta, um medo mortal. É uma coisa tão escura, tão funda, a gente nunca sabe o que tem lá dentro, se tem gato morto ou sei lá o quê. Tenho medo da minha buceta, medo pânico. Ela me assusta.
Nem olho. Fico pensando: "Meu Deus, o que será que vem por aí? Tenho medo de pôr o dedo lá dentro. Fico enjoada e com medo. Não sei o que pode aparecer. Como é que homem pode gostar de mulher ? Acho uma coisa impressionante."

Nota : Hilda Hilst é escritora de livros como "Sobre a Tua Grande Face", "O Caderno de Lori Lambi", entre outros. Em vida, Hilda chegou a criar 70 cachorros em seu sítio e disse ter tido experiência com discos voadores. Hilda faleceu em 4 de fevereiro de 2004,na cidade de Campinas

martes, 24 de febrero de 2009

Carnaval? Que nada. Pensamentos tortuosos...

Recém chegado da Espanha, ainda meio tonto, volto ao país que amo e que insisto em deixar...Motivo? Sei lá. Pergunta para o papai Smurf... O que sei é que nesse país de tantas alegorias e diversidades, ferveção, agitação, beijo na boca, corpos suados e sexo latente, decidi quedarme em casa solito com meus pensamentos. Sabendo que vou sentir saudade de mim quando eu morrer, que não adianta fugir da tristeza, pois ela sempre te alcança... E hoje mas que nunca sei, não adianta se entregar, a resposta à pergunta se a vida é isso mesmo, não tem resposta. A vida é você quem faz, você quem decide, você quem sabe as dificuldades de atravessar os obstáculos... Apesar dos pesares, onde anda você? Tenho tido bons momentos de carne, passageira, e no final das idas e vindas, volto sempre sozinho pra casa e tudo é silêncio e solidão... Sem promessas. De tudo isso concluo que. Estou cansado de ser eu no outro, é como ter sede infinita, mas sem ser de água... E tenho que parar de ouvir Maysa, pois descobri que ela é a Rainha da Fossa...

viernes, 13 de febrero de 2009

Minha alma está assim...

O adeus tem outro rosto...
Adeus palavra tão corriqueira
Que diz-se a semana inteira
A alguém que se conhece
Adeus logo mais eu telefono
Eu agora estou com sono
Vou dormir pois amanhece
Adeus uma amiga diz à outra
Vou trocar a minha roupa
Logo mais eu vou voltar
Mas quando
Este adeus tem outro gosto
Que só nos causa desgosto
Este adeus você não dá

A história da Ema. Ema. Ema...