miércoles, 1 de abril de 2009

Febre Terçã

De repente, no desvario teu, meu corpo estremeceu. Não foi de amor, desejo, emoção, felicidade ou algum outro sentimento desses que aquecem a alma e fazem o sangue pulsar nas veias latejantes.
Meu corpo foi acometido de calafrios imensos, maiores que minha própria dor, maiores que eu... Sozinho, sem sentir ou saber o que se passava por meu corpo, deixei que as sensações viessem, não foi acolhedor, em minhas mãos, ou ao alcance das mãos estava a medicação que dissiparia temporariamente esse pavor, esse penar...
Mas preferi deixar-me levar, e assim fui... Águas desconhecidas, meu cérebro aquecido fervilhava e lembrei de vivências da infância, partes doloridas, pois em um estágio de febre convulsivante não se pode esperar sonhar com flores, sombra de árvore, vento no rosto, carinho sem esperar ou pedir...
Foram três dias amargos, três amargos dias e assim, pensei na vida que vai, na vida que se esvai, pensei na morte, na tão temida e odiada morte que anda no mundo e chegará pra todos, inclusive para aqueles que não querem ir...
Sempre, e sempre e tanto, nesses momentos, falo de mim mesmo, mas creio que outras pessoas sentem o mesmo, refletem o tempo que se perde e de tudo que se deve fazer ou de outros planos desfeitos e outros que nem foram ao fim e nunca serão concretizados... Eu acho a minha vida uma quantidade infinita de incertezas, ao mesmo tempo em que luto comigo mesmo para não ver a vida passar na esperança, ou para os mais incrédulos na expetativa de que algo mude, algo aconteça, mas ser expectador, mero e simples expectador de flores que murcham sem desabrochar, de dias de sol trancado em um quarto onde a luz não entra, sem amor predestinado, com coração que sangra por mil feridas abertas, e assim, se esquece de bater fortemente, apaixonado pela vida, sabendo que se há algum minuto desperdiçado, foi desperdiçado com algo que pra o ego, foi válido...
Eu poderia dizer do amor que tive, mas não posso dizê-lo, e não dizendo, fico assim a esmo...
Mas sou, ainda, um eterno apaixonado pela vida, mesmo parafraseando o eterno poeta Cazuza, "Vida loca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve"...

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